quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O QUE É LIBERDADE?

“Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta,
que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”
Cecília Meireles

A liberdade não é explicável, mas é entendível. De fato, há mais de dois milênios os filósofos vêm refletindo sobre o conceito de liberdade e ainda não chegaram a uma definição unânime.
O conceito de liberdade é complexo. Vamos começar fazendo uma pergunta à queima-roupa: como você definiria liberdade?  Responda em seu caderno.

As várias formas de liberdade
A liberdade é qualificada de acordo com o objetivo a que se refere. Por exemplo, liberdade física é que nos confere o direito de locomoção, de ir e vir. Quando somos privados desse direito por ilegalidade ou abuso de poder, a Constituição nos garante o recurso jurídico do habeas corpus (em latim, “que tenhas o teu corpo”), por meio do qual se pode revogar uma prisão considerada injusta. Mas, em nossa sociedade perigosa e violenta, a liberdade de locomoção é cada vez mais restrita.
A liberdade política nos concede o poder de atuar nos rumos da organização da sociedade. Também esse aspecto da liberdade é dificultado por forças interessadas em manter privilégios.
A liberdade jurídica nos torna iguais em diretos e deveres perante a lei, o que entre nós ainda é uma utopia.
A liberdade religiosa nos permite seguir o credo de nossa preferência ou de não seguir nenhum credo.
A liberdade profissional nos dá a possibilidade de seguir a profissão que vá ao encontro de nossos interesses e tendências. Mas entre esse direito e a realidade do trabalho no Brasil existe uma grande distância.

Os limites da liberdade

Somos limitados, condicionados, determinados por uma série de fatores que não dependem de nossa vontade. Em filosofia, a palavra necessidade sintetiza todos os obstáculos que agem sobre nós e nos impede de ser, fazer e conseguir o que gostaríamos.
Alem desses condicionamentos ou determinismos inevitáveis, existem outro, evitáveis, criados pelo próprio homem. O ladrão, por exemplo, corre o risco de perder a liberdade de locomoção, e os que se drogam se arriscam a ficar viciados, escravizando-se às drogas. A liberdade, como a saúde, requer cultivo e vigilância.
Mas as restrições à liberdade não são criadas apenas pelos indivíduos, isoladamente. É na organização social e política que se constrói a maioria dos entraves à liberdade. Um povo de analfabetos, doentes e famintos tem uma liberdade restrita às suas condições subumanas. O que podemos fazer então?

A liberdade como conquista

A liberdade não é uma dádiva, algo que recebemos sem esforço. Ao contrário, ela é uma conquista que pode conduzir a outras conquistas, um caminho que pode levar a outros caminhos, com novos obstáculos e horizontes. O uso da liberdade faz a história do indivíduo e da sociedade. Segundo Sartre, não importa o que fizeram de nós, não importam as condições adversas em que nos encontramos: importa é o que podemos fazer com o que fizeram de nós.

Livres com os outros

“Temos aprendido a voar com as aves, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.”
Martin Luther Kings

Costuma-se dizer: “Minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro”. Isso só faz sentido em algumas situações, como no condomínio de um edifício. Tenho liberdade para ouvir a música que quiser. O volume, porém, não deverá incomodar o vizinho.

Mas o exercício da liberdade se realiza com o outro, na interação social, na verdadeira política, na luta pela justiça, pela igualdade dos direitos essenciais, pela solidariedade. O individualismo, o “cada um por si”, enfraquece nosso poder de ação.
É conhecida a velha história do pai que, à beira da morte, chamou os filhos e deu um feixe de varas para que cada um tentasse quebrá-lo. Ninguém conseguiu. Então, ele desamarrou o feixe e foi quebrando vara por vara. Com isso, o sábio pai quis demonstrar o poder da união e a fragilidade do individualismo.

PARA REFLETIR

Crie ou encontre no texto frases que expressem bem a importância da liberdade.
Relacione os fatos evitáveis e inevitáveis que limitam a liberdade.
Faça um comentário sobre a liberdade como conquista. Cite exemplos de pessoas.
Que relação existe entre individualismo e liberdade?

Comente a afirmação de Sartre: “O futuro do mundo está em nossas mãos.”


Fonte:Para Filosofar. – Ed. Reform. – São Paulo: Scipione, 2007, (Vários autores),pags. 81-85.

O QUE É A FELICIDADE?

ÁGUIA SONHADORA
Autor: Vanildo de Paiva

Pepe era uma águia muito inquieta. Nasceu entre as montanhas bem no centro da floresta em meio a árvores e copas entrelaçadas e floridas conhecidas apenas pelo sol, pela chuva, pelo vento e pelas estrelas.
No cume daquela montanha há milhões de quilômetros dali havia uma estrela tímida que certamente surgiu naquela noite, quando Pepe deixou o aconchego do ovo para enfrentar a desconhecida floresta.
Logo que nasceu as primeiras penas, ele arriscou um voo ousado do alto do ninho, sem muito sucesso. Mas, algo lá no fundo dizia a ele que um dia ia conseguir. Quem sabe seria ainda muito feliz...
 “Mas, na verdade, o que é ser feliz?” perguntava-se. Nunca seus pais lhe falaram sobre isso. E foi assim que Pepe saiu pela floresta em busca da felicidade.
Não custou muito para Pepe perceber que a floresta era bem maior do que ele pensava... e também muito misteriosa. Foi então que conheceu um abutre assustador. Sentiu muito medo. Pensou até em fugir, mas se quisesse mesmo conhecer a vida precisaria ter coragem para enfrentar os seus muitos medos.
__ Quem é você? __ perguntou.
__ Isso não importa __ respondeu, o abutre.
__ Meu nome é Pepe! Estou procurando a felicidade! Você pode me dizer onde encontrá-la?
__ Isso não existe, garoto! Você deveria voltar para sua casa e desistir. Você nasceu e está condenado a morrer. É só isso.
__ “Não pode ser assim, acredito que viver seja mais do que esperar a morte chegar”
Pepe seguiu seu caminho. De repente um barulho estranho chamou sua atenção. Olhou para o alto e viu uma ave muito colorida.
__ Que faz aqui? Quem é você? __ perguntou Pepe.
__ O que faço aqui? Você já imaginou como seria feia esta árvore se eu não existisse. Sou a arara, a ave mais bonita da floresta.
__ Quero tanto ser feliz e você parece saber... Pode me ensinar?
__ Se você não é feliz jamais será! Existem leis que nós não podemos mudar. Sou bonita e colorida! Eu nasci assim, já você, quase não tem cor! Como poderá ser feliz? __ disse isso e voou, na maior algazarra.
Mas, Pepe, não acreditou na arara:
__É impossível que a vida seja assim! Meus pais parecem tão felizes e não são tão coloridos! Deve haver outra maneira!
Amanheceu novamente e junto com os primeiros raios de sol, Pepe escutou o canto de um pássaro. Levantou a cabeça e contemplou uma linda ave que saudava o dia com toda força e alegria. 
___ Oi! Como você é bonito. Como canta com suavidade e alegria!
___ Faço o melhor que posso. Minha missão é essa. Sou feliz assim respondeu o canarinho.
___ Que bom que você é feliz, mas o que é a felicidade? Você pode me ajudar a ser feliz?
___ Tudo que eu sei é que a felicidade é algo que cada um deve trazer dentro de si para repartir com os outros. Ajudar-lhe eu posso, cantando um pouco para você. O importante é que cada um possa fazer bem aquilo que tem como ideal e, cantou como nunca havia cantado antes. Depois partiu.
“Fazer bem o que tem como ideal! Isso é que traz a felicidade! Mas, qual o meu ideal?”, pensou inquieto. Chegou à noite. Aquela escuridão lhe fazia ficar com mais medo, mas foi naquela noite que a jovem águia conheceu uma velha e sábia coruja.
___ Como você é misteriosa! __ exclamou Pepe. ___ já ouvi dizer que você sabe de tudo. É verdade?
A coruja olhou nos olhos dele com um olhar penetrante e disse: sim, é verdade, sei até o que você está buscando... então, ouça bem o meu conselho: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo”. Você não precisa ir muito longe. O que você procura está bem perto de você e batendo as asas o deixou pensativo.
Buscando decifrar os segredos da coruja Pepe caminhou muito, conheceu muitos lugares e aves diferentes, mas parecia que cada dia ele sabia menos da vida e de si próprio. Até que um dia...
___ Oi o que você faz por aqui? ___ perguntou lhe uma voz desconhecida.
___ Não sei muito bem, respondeu Pepe. Procuro algo que possa me ajudar a descobrir a felicidade.
___ Meu nome é Vado. Eu nasci nas montanhas algumas luas antes de você... Também não sei muito sobre a vida, mas vivo intensamente o pouco que sei, afinal a vida é muito curta.
___ Eu sou Pepe. Já há um bom tempo resolvi conhecer a floresta e buscar a felicidade, mas não estou muito satisfeito.
__ É preciso tranquilidade e paz para que possamos compreender nossos corações, amigo. Quem não dá tempo para si mesmo jamais descobrirá o segredo da felicidade. Mas, conte-me sobre o que você já descobriu ___ Pediu Vado.

Pepe então contou toda a sua história, falou de seus pais e de como deixou o seu lar. Falou de todas as aves e animais que conheceu e que marcaram sua vida...
___ Conheci uma vez, até uma Gaivota! Ela estava chegando do mar, veio falando de homens, navios, coisas do outro mundo. Tive vontade de ir com ela para conhecer o mar, mas, ela disse que cada um tem a sua missão e que lá não seria meu lugar! Mas, onde então é o meu lugar? Que caminho seguir?

E Pepe começou a chorar...  
___ Chore meu amigo e não tenha vergonha. Quem é capaz de chorar é capaz de sentir a vida e vibrar com ela.
___ Eu sou muito complicado. ___ responder Pepe. ___ Desculpe-me.
___ Você não é complicado, você é você, cada um é único e especial no seu jeito de ser e assim merece ser compreendido, respeitado e amado.
___ Não busco muita coisa... Só quero ser feliz. Você é capaz de entender?
___ Sim, Pepe, há coisas que só vivendo a gente compreende!
___ Mas andei por todos os cantos da floresta, olhei por todos os lados e não encontrei a felicidade.
___ Creio que você não olhou para o lado mais importante. Pense nisto. Agora devo ir.
___ Não se vá! Fique comigo! Não me deixe só...
___ Eu voltarei! Procure lembrar-se de tudo o que aconteceu não para lamentar o que perdeu, mas para colher tanta coisa que foi semeada e que ainda vai florir. E lembre-se disso: nunca se está só quando se tem um amigo.

 Naquela noite Pepe não dormiu, procurou fazer como seu amigo lhe disse. Foi a noite mais longa de sua vida e talvez a mais importante também. No outro dia, Vado retornou logo que o sol nasceu.
___ Olá Pepe! Senti saudades.
___ Oi amigo! .Pensei muito está noite e cheguei a uma conclusão....
____ Diga-me Pepe, estou curioso.
____ Sabe Vado, você tinha razão quando disse que havia um lado para onde eu ainda não tinha olhado na minha busca pela felicidade! Para dentro de mim mesmo. Talvez tivesse medo de me decepcionar mais uma vez e, por isso, buscava longe o que estava perto de mim. Agora sei que muitos podem me ajudar e me dar alegria, mas se eu não me ajudar, não me aceitar, nunca saberei acolher o bem que os outros me fazem. Felicidade depende de cada um saber o que pode fazer de sua vida. Agora eu sei que sou águia, preciso voar bem alto como os meus pais, como você. Se lá em cima eu não ficar, águia não serei.
___ Você está certo Pepe, mas você deve saber que não é fácil, precisará de muito esforço.
___ Sei disso Vado, mas tenho uma grande força dentro de mim e agora tenho um ideal. Além de tudo, tenho amigos como você que me estimulam a seguir sempre em frente sem desanimar.

E conversaram longamente. Vado partiu, mas ficou no coração de Pepe. Depois de muitos dias de tentativas, Pepe conseguiu voar. Aperfeiçoou-se bastante até que subiu muito alto e seus pais perderam-no de vista. Hoje, é uma águia muito feliz que às vezes confunde-se com a mais linda estrela que brilha no céu.
Fim!
Felicidade em excesso pode ser ruim? (Clique aqui e saiba mais sobre o assunto)